Invencíveis até agora: o Benfica de Mourinho e o Fenerbahçe ainda não perderam

Nem sempre estar invicto significa liderar. Mas significa, quase sempre, estar pronto para disputar qualquer obstáculo que apareça!
É isso que Benfica e Fenerbahçe estão a fazer esta temporada. Enquanto vários gigantes europeus já tropeçaram mais do que uma vez, as duas equipas continuam sem derrotas nos respetivos campeonatos. E há um nome comum que liga as duas histórias: José Mourinho.
Em Lisboa, o impacto do treinador português sente-se no detalhe. O Benfica não é apenas uma equipa que ganha – é uma equipa que sabe não perder. Em jogos grandes, controla. Em jogos complicados, sofre e luta até ao apito final. Em jogos equilibrados, encontra soluções.
A diferença está muitas vezes na maturidade competitiva. A equipa encarnada tem mostrado organização defensiva consistente, capacidade de gestão emocional e eficácia nos momentos-chave. Não é futebol de deslumbramento permanente, mas o calculismo que Mourinho nos habituou ao longo dos tempos.
E isso tem reflexo direto na classificação. Num campeonato onde a margem entre os candidatos é mínima, cada ponto pesa como ouro. O Benfica está totalmente inserido nessa luta, sem derrotas e com resultados melhores do que as exibições, como o deste final de semana nos Açores contra o Santa Clara, em que ganhou apenas por um golo de diferença e uma solidez defensiva que se começa a notar.
Na Turquia, o cenário é igual, com o Fenerbahçe a não ter qualquer derrota e a aguentar-se na tabela colado ao primeiro lugar com menos 3 pontos. A equipa mostra intensidade, profundidade de plantel e capacidade de reação nos momentos decisivos. Mesmo não estando em primeiro, transmite a sensação de confiança de um líder que não quebra facilmente.
O engraçado é que esta dupla invencibilidade não é comum nos principais campeonatos europeus. Em Espanha, Inglaterra, Alemanha ou Itália, os candidatos já somaram várias derrotas. Manter-se sem perder ao fim de mais de vinte jornadas é um feito que exige força física e mental!
E é aqui que a aura de Mourinho entra novamente na conversa. O Special One começou a época no Fenerbahçe antes de assumir o Benfica, deixando uma base competitiva que continua a produzir resultados. Em Lisboa, o começo não foi fácil, mas aos poucos a equipa já começa a absorver as ideias de Mourinho e uma mentalidade de jogo pragmática. Em ambos os casos, a marca é semelhante: organização, foco e competitividade.
Mas a invencibilidade também tem outro lado. A pressão cresce a cada jornada. Cada adversário entra em campo com motivação extra para ser “o primeiro” a quebrar a série. A margem de erro reduz-se e os jogos tornam-se mais pesados, à medida que chega o final do campeonato.
No caso do Benfica, o contexto torna tudo ainda mais intenso. A luta pelo título é sempre renhida entre os três grandes e qualquer perda de pontos pode ser decisiva na classificação, ainda para mais quando Porto e Sporting não parecem ceder. O mesmo acontece na Turquia, onde o Fenerbahçe persegue o líder Galatasaray com apenas três pontos de distância.
Estar invicto não significa troféus, mas garante pelo menos a presença na luta pelos primeiros lugares e pressão constante em quem vai à frente. Na segunda volta do campeonato cada ponto perdido pode ser decisivo para quem luta pelo título, e é precisamente isso que separa as equipas estáveis, que não perdem, das equipas menos regulares.
Benfica e Fenerbahçe ainda não caíram esta época, e a pergunta que se impõe é que se o dedo de Mourinho vai aguentá-las até à última jornada onde podem ser coroadas campeãs e com um percurso sem derrotas? A verdade é que por onde passa, a influência positiva do treinador português é notada e as equipas por ele treinadas nunca mais são as mesmas.