Farioli apertou com o grupo após clássico e quer uma resposta imediata

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Farioli apertou com o grupo após clássico e quer uma resposta imediata

O empate no clássico com o Benfica deixou marcas no FC Porto. Não apenas pelo resultado, mas principalmente pela forma como a equipa deixou fugir uma vantagem de dois golos num jogo que parecia controlado. Francesco Farioli não escondeu a insatisfação e mostrou-se muito incomodado no final do encontro.

A insatisfação já tinha sido notória na conferência de imprensa. O treinador italiano lamentou o facto de a equipa não ter conseguido resolver o jogo quando teve várias oportunidades para o fazer, dizendo que o FC Porto criou ocasiões suficientes para fechar a partida. A leitura do treinador é simples: quando uma equipa chega a uma vantagem num clássico tem de ser mais eficaz e acima de tudo, mais madura a gerir a vantagem até ao final do jogo.

Mas a mensagem não ficou só no Estádio da Luz, segundo relatos o treinador transmitiu aos jogadores logo no regresso da equipa à cidade do Porto, focando principalmente nos erros que abriram espaço à recuperação do Benfica. Entre eles, como os portistas permitiram o golo do empate, num momento em que acima de tudo se pedia uma maior controlo emocional.

Esse mal-estar do treinador, surge numa altura importante da temporada e principalmente quando a diferença pontual podia ser alargada para o rival e numa fase em que cada deslize pode ser importante na luta pelo título de campeão. Mais do que perder pontos, o que preocupa é a sensação de desperdício e desconcentração, que tem sido um pouco notório recentemente contra os grandes.

A equipa mostrou argumentos ofensivos, criou perigo e colocou o rival em dificuldades, mas voltou a deixar fugir a vitória no final da partida. Farioli não quer que isso se torne um hábito e transmitiu essa ideia imediatamente ao grupo.

O Porto está a realizar um campeonato muito bom, liderando a tabela desde o início, e o treinador italiano tem insistido muito na exigência competitiva e na responsabilidade de todos. No caso deste clássico, a crítica não parece ter sido feita num registo de dramatizar, mas antes de um alerta que o FC Porto não pode permitir que num jogo com uma vantagem de 2 golos termine empatado, depois de ter desperdiçado tantas oportunidades para marcar o terceiro golo.

Farioli lançou mesmo o alerta, parte do crescimento e amadurecimento, passa por controlar este tipo d situações, evitando momentos mais relaxados no jogo. Num campeonato equilibrado, essa diferença entre controlar e adormecer pode custar até campeonatos.

Ao mesmo tempo, o treinador também referiu que o problema não foi falta de produção ofensiva, muito pelo contrário. Os Dragões criaram oportunidades suficientes para aumentarem o resultado, mas o que falhou foi a capacidade de decisão em frente à baliza e defender a vantagem com mais concentração. Essa leitura é vai ao encontro com o que o próprio Farioli tinha dito publicamente, ao lamentar que a equipa não tenha aproveitado as sete ou oito oportunidades que teve para resolver o jogo.

No balneário, este tipo de intervenção costuma ter resultados. Principalmente vindo de um treinador que tem construido uma equipa baseada na intensidade, na parte competitiva e mais capaz de controlar os vários momentos do jogo. Esta chamada de atenção surge como um alerta ao grupo e numa ótica de tentar que não volte a acontecer de novo, já que à medida que o campeonato se aproxima do final, cada ponto perdido pode ser fundamental para o objetivo.

Agora, a grande questão é perceber como a equipa vai responder já no jogo contra o Estugarda. Nestas situações o impacto da mensagem mede-se no jogo seguinte e os portistas precisam de mostrar que conseguem transformar o sentimento de frustração em vitórias. Não é suficiente reconhecer que falhou, um clube habituado a títulos, deve prová-lo no relvado.

E é aí que o momento se torna interessante. Farioli não quis deixar que o empate fosse tratado como um simples acidente de percurso. Preferiu agarrar no desconforto e usá-lo como ponto de partida para exigir mais ao grupo. Num plantel que ainda procura consistência emocional em jogos grandes, esse tipo de intervenção pode ser decisivo.

No fundo, a mensagem do treinador foi tão simples quanto dura: jogar bem não chega quando se deixa fugir um clássico destes. O FC Porto mostrou que tem qualidade para ferir o rival. Agora precisa de mostrar que também tem maturidade para acabar o trabalho.